Aos vinte e quatro, percebi
Hoje eu finalmente caí na real. Foi quando percebi, deitado na cama, após a leitura de um livro que me fez questionar se eu mesmo era uma boa pessoa, que eu teria uma vida muito diferente da vida que levam as pessoas que me rodeiam. Não seria uma pessoa comum, e para falar a verdade, nunca fui. Não me casarei e não terei filhos. Não farei parte deste ritual premeditado. Pelo contrário — vou selar a minha solidão e dividirei os meus bens e frutos comigo mesmo. Dividirei a ilusão, a dor, o sonho e o amor, que deverá ser próprio. Passei os últimos anos temendo o meu futuro, com a incerteza do que veria em breve. Todavia, percebi hoje que não há nada a temer. A minha realidade parece ter se tornado imutável, e ao mesmo tempo parece que sempre foi, e eu aos poucos vou percebendo isso. Quando, aos catorze, percebi que não namoraria por não ser correspondido. Quando, aos dezoito, percebi que o tempo que tinha com minha família estava se findando porque eles não aceitariam ver o que eles neg...