Na quarta-feira, comprarei o peixe
Em todas as segundas, como um hábito há mais de cinco anos, o tempo que possui de casada, Joana costuma preparar o almoço da semana e congelá-lo, na intenção de economizar tempo de cozinha para fazer as outras tarefas da casa — como cuidar das crianças para que elas vão para a escola, limpar a casa, para deixá-la digna de uma fotografia modelo e outras tarefas domésticas que não incluam o fogão. Na última segunda, fez a mesma coisa de sempre, sem se queixar, e desta vez, cantarolava uma música que ouvia quando conheceu Beto, seu esposo. — Você é a mesma estrela que me machuca e cura... — cantou bem alto o refrão. Cortava, neste momento, a carne, enquanto cozinhava o arroz. A pia estava suja, cheia de panelas usadas, e sobre a pia havia também cascas abertas de ovo, resto de folhas que não foram usadas para a salada, e o lixo estava aberto, pois assim, ficava mais fácil de jogar esses elementos na lixeira, mesmo que ela não fizesse isso. As crianças estavam na escola, e...