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MUITOS OLHOS E POUCAS BOCAS

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RETIRADO DO LIVRO: "CONFLITOS E CONFLITOS DE NOVO"   De repente me senti um ninguém. E não foi no meu quarto grande e escuro na calada da noite que tive essa epifania — não estava sozinho nem muito menos acompanhado. Estava rodeado de pessoas, mas ninguém estava comigo. Eu estava num lugar que muita gente frequenta, às vezes todos os dias, e encontra muita gente diferente. Às vezes, rolam diálogos como: “O dia hoje está bem ensolarado”, ou “A manhã foi muito chuvosa”, conversas rasas que não levam a lugar algum, apesar de eu estar em um local que me leva a algum lugar. Como eu disse, ninguém se interessa de verdade por ninguém. Me sentei em um dos acentos e olhei para o lado de fora. Vi o mundo passar! As pessoas andavam com pressa, cada uma com suas vidas, surgiam de um lado e do outro, gente de todo o tipo. E ninguém ligava para ninguém. Um homem estava dançando todo contente do outro lado da rua — as pessoas passavam, olhavam, mas depois de um tempo, esqueciam. Tinha um se...