Não vou desistir
Acordei numa manhã ensolarada pós-reflexão. Quem me viu pesquisando sobre até quando vai o governo do presidente xis pelo simples fato de ter me atrapalhado nas contas e não saber calcular quando é o fim de um governo, ou por pura desinformação, não imaginaria os pensamentos ora malucos ora sensatos que tive na madrugada de hoje. No auge do silêncio noturno, minha mente resolveu atingir o seu pico de agitação. Os pensamentos que vinham e iam eram todos sobre o meu futuro e quem eu sou.
Nos últimos tempos, passei a me sentir muito sozinho. Não digo isso para falar que não tenho ninguém ao meu redor — não, leitor, não vivo no meio de uma floresta rodeado de animais que cuidaram de mim com muito esmero, não. Estou rodeado de gente, gente que, ao não interagir, me faz sentir como se estivesse, de fato, na floresta. Como posso garantir que tenho essa sensação sem nunca ter ido a uma para passar alguns dias? Não sei, mas posso te dar a certeza de que me sinto só mesmo com algumas pessoas ainda próximas.
As pessoas que ainda estão aqui estão quase mortas quando se fala no tópico interação. Elas não me chamam, não interagem com nada que eu crio e poucos são os que comentam comigo que acharam legal ou até mesmo chato algo que eu fiz. O escritor que nem mesmo os próprios pais leram. Os amigos não leram um livro inteiro. Me sinto, às vezes, um tremendo fracasso.
Eu não tive sucesso com nada que criei na vida. E eu continuo tentando, porque gosto, mas também porque acredito que um dia eu seja reconhecido. Mas no fundo, bem no fundo, eu não tenho certeza se isso é uma verdade absoluta. E se tudo que eu criei, durante todo este tempo, me deixará num eterno "e se?", e se for apenas um eterno "quando...". E se os textos que faço, ficarem restritos apenas a mim? Quando eu for velho, serei o meu único leitor fiel, se tudo não for pelos ares.
Essa falta de apoio contínuo, de resposta e feedback, me fizeram pensar várias vezes se devo largar tudo o que faço de arte e viver uma vida comum. Se devo me reservar ao trabalho e apenas ele, pegar uma casa, um veículo, e morrer de forma simples e ordinária. Mas ao pensar na vida escrevendo, criando, pensando e discutindo, meus olhos brilham, e a minha felicidade, para mim, importa muito mais.
Este fracassado escritor, que tem preguiça de divulgar o seu próprio trabalho em comparação com os outros, tenta criar de forma orgânica, fiel aos seus princípios e ao seu estilo de escrita, mas que com certeza, para fazer testes, se renderá a outros gêneros literários, outros modos de criar, assim como testei e experimentei diferentes coisas na minha trajetória — e falhei em todas, mas continuarei testando para, no fim, poder dizer que tentei de tudo para atestar um não fracasso, mesmo fracassando.
Não vou desistir.
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